Sousa,
Márcio. História da Amazônia, 2009. Editora Valer, Manaus.
SOLDADOS,
CIENTISTAS E VIAJANTES
O RELATO, que foi durante a conquista a forma
especial de expressar literariamente a
região- ao mesmo tempo , documentos e relação dissocia-se numa forma que é
ainda documento, mas indiretamente por meio da poesia e, por meio do
inventário, quando a conquista se transforma em colonização>(...) é
necessária racionalidade(...) ordenar a
Amazônia(...) . E, em especial, o domínio empírico do relato, no qual a teoria
e a prática literária viam a região se estabelecer com semelhanças e
afinidades, e no qual se podiam cruzar o
fantástico e a linguagem da perplexidade. P. 162. 163.
(...) instaura-se a
racionalidade mercantil(...) que vem fazer desaparecer o relato e promover o
texto à poesia, à ciência , ao
romance(...). Na poesia, há mesmo uma quebra sutil com a tradição cristã,
deuses da antiguidade clássica perambulam a para com o formalismo carregado e
moralista do homem ibérico.É um racionalismo tímido, à moda católica
tridentina, não-especializado, sem ser universalista, não profissional sem ser
burguês. (p.163)
MONTANDO
O QUEBRA CABEÇA TROPICAL
Os mais avançados dos
observadores foram os sábios viajantes, uma categoria que proliferou nos
séculos XVIII e XIX.Espanhóis e portugueses relutavam muito em conceber
passaporte a esses tipos extravagantes, geralmente cientistas sob comissão de
algum potentado ou algum reino europeu. (..) De tudo o que foi observado,
relatado, dissecado, empacotado e despachado para as mais diversas capitais do
velho mundo, pouco foi de grande valia para os habitantes da Amazônia.Suas
vidas seriam modificadas pelas conclusões desses homens de ciência(...) p. 163.
Com a onda dos
cientistas viajantes, começa a ser fabricado o renitente mito de que a Amazônia
é um vazio demográfico, uma natureza hostil aos homens civilizados, habitada
por nativos extremamente primitivos sem vida política ou cultural.É a Amazônia
terá sem história, que tem permitido toda sorte de intromissão e arbitrariedade(...)
p. 163
Foi o primeiro
cientista importante a atravessar a região foi
o francês Charles Marie La Condamine.(...) Homem de temperamento forte e
obsessivo, La Condamine era um típico sábio do século XXIII, meio cientista,
meio soldado, meio aventureiro. Filho de
uma família de aristocracia rural, (...) , dominava um vasto campo de
conhecimento , como a matemática, a astronomia e as ciências naturais(...)
reunia em sua personalidade a própria essência
de um tempo marcado pelo fanatismo religioso, refinamento intelectual,
extrema licenciosidade, sofisticação dos modos e brutalidade.(...) aos dezoito
anos torna-se oficial do exército e
participa de combates na Espanha.Foi no cerco da cidade de Rojas que ouviu,
pela primeira vez , sobre o Peru, os Andes, os Incas e a Amazônia., em
conversas com um oficial espanhol prisioneiro de guerra.(...) Aos vinte e nove
anos conquista uma cadeira na academia de ciências de Paris(...) se tornou
amigo de Voltaire(...) na América do Sul, duas expedições foram
organizadas(...) era preciso fazer medições e triangulações exatas do globo
terrestre(...) para o Sul (...) La
Condamine(...) p. 164
La Condamine estava
ouço interessado em refutar Isaac Newton(...) o desejo era (...) conhecer seus mistérios
escondidos por mais de dois séculos(...) p. 165
Nos sete anos de
trabalho, cinco membros da equipe morreram em situação trágica e alguns outros
enlouqueceram diante dos rigores da selva equatorial. (p.165)
(...) La Condamine
(...)perseverou (...) repetindo a rota de Francisco Orellana ( ....) se juntou
ao jesuíta Maldonado(...) . faz estudos e observações sobre os povos indígenas,
a flora e a fauna, sempre maravilhado com a profusão de novidades apresentadas
pela exuberante natureza tropical(...0 foi o primeiro cientista a fazer a
descrição de várias espécies desconhecidas dos europeus até então, como os
botos , o uso do curare e a borracha.É tmbém o primeiro a confirmar a
existência de uma ligação entre a bacia do Orenoco e a d Amazonas, ligação esta
que será usda, muito depois, pelo cientista alemão Alexander Von Humboldt. P. 166
(...) se sentiu atraído
pelo incidente com as Amazonas, relatado, em cores dramáticas, por
Carvajal(...) .Tão certo estava da existência das mulheres guerreiras que, certa
vez, durante uma parada no rio Solimões, viu duas índias que desapareceram na
selva tão logo ele tentou se aproximar, passando a considerar esse fato como um
possível encontro com as Amazonas. p. 166
(...) publicou diversos
estudos e um cuidadoso relato de viagem, além de ter elaborado, durante sua
estadia em Caiena, um detalhado mapa da bacia amazônica, tão perfeito que pode
ser usado ainda hoje . p. 166
Os
OUTROS CIENTISTAS
SEGUIRAM OS PASSOS DE LA
CONDAMINe (...) entre 1790 e 1900,
dezenas de viajante e cientistas
atravessaram a Amazônia, MOVIDOS PEL a
curiosidade, pelo espírito de aventura, pela COBIÇA e pelo desejo de desvendar o desconhecido.
(...) os ingleses
Alfred Russel Wallace( 1823-1913) e Henry Walter Bates(1825-1892) , que navegaram
pelo Amazonas até Manaus, de onde partiram em direções opostas. Bates
visitou o Solimões, enquanto Wallace seguiu para o Rio Negro. Ambos realizaram um
precioso trabalho científico, especialmente no campo da botânica; o matemático
e botânico amador norte-americano Richard Spruce(1817-1913), que ouviu falar na
expedição de Wallace e Bates, pegou um barco
e veio encontrá-los em Santarém, onde ficou um ano coletando plantas;
O
oficial de guerra dos Estados Unidos- William Lewis Herdom(1813-1857) ,eu foi
enviado pelo governo americano para investigar as potencialidades econômicas da
Amazônia, viajou pelo rio Amazonas, vindo do Peru, relatando mais tarde, ao
Congresso dos Estados Unidos, que a
região possuía enormes potencialidades e
deveria ser colonizada por homens brancos, não por índios;
Dr.
Robert. Christian Avé-Lallement(1812- 1857) , que
esteve entre os Mura do Madeira e os tucano de Tabatinga ;
William
Chandlles, que
explorou o território acreano, esteve no Purus e descobriu um tributário
desse mesmo rio, que ganhou seu nome;p.167
O
cientista suíço Jean Louis Rodolphe Agassiz(1807-1873) , professor da Universidade de
Harvard , que acompanhado de sua mulher , Elisabeth, viajou através do rio
Amazonas, medindo o físico dos índios e deixando um relato com tinturas
racistas , já eu combatia a mestiçagem e considerava o homem amazônico um
exemplo de degeneração; p.167
Henry
Anatole Coudreau(-1847- 1899),
que viajou pela Guiana Francesa, pelo RO Branco e os rios Urubu e Trombetas,
contatando diversas tribos e considerava os índios seres inferiores que
deveriam ser exterminados para dar espaço aos europeus civilizados p. 167
OS
SEDUZIDOS PELA SELVA
(...)
Alguns
realmente se identificaram com a região, com o povo, dedicando suas vidas ao
conhecimento e ao aprendizado.
João
de São José Queiroz , que deplorou o estado em que se
encontravam os povos indígenas (...);
Ricardo
Franco de Almeida Serra(1750- 1809),
que
se apaixonou pelos povos indígenas da
Amazônia e se casou com uma índia terena(...);
O
oficial do Exercito Imperial brasileiro João Henrique Wilkens de Matos(1784-1857)
, que
lutou na Cabanagem mas se tornou um defensor dos cabocos e índios, denunciando
o estado de degradação e decadência em que se encontravam o rio Negro e seus povos; (...)
Antônio
Gonçalves Dias( 1823- 1864), que viveu seis
meses entre os Mawé, Mura Mundukuru,
mostrando-se solidário com esses povos; (...)
Charles
Frederick Hartt( 1840-1878, (...)
escreveu
uma síntese etnográfica da Amazônia e
foi um dos primeiros a compreender a importância e a riqueza dos mitos indígenas;
João
Barbosa Rodrigues( 1842-1894) , que,
ao lado de sua esposa Constança
Rodrigues, e deixou uma magnífica coleção de literatura oral dos índios
O
conde italiano Ermano Stradelli- ,
que
se apaixonou pelo povos do rio Negro, denunciou os abusos cometidos pelos
missionários católicos e registrou o
rico universo mitológico de diversas tribos;
Theodor
Koch Grunberg(1872-1924) (...) estudo sobre a mitologia dos Tariana,
Tukano, Makuxi e Wapixana, revelando grande identificação e solidariedade com
esses povos.
“
O escritor brasileiro Euclides da Cunha-(1866- 1909)“ que
chefiou a Comissão Brasileiro-Peruana de Demarcação, viajou pelo rio Purus e escreveu um dos mais contundentes textos de
denúncia da denúncia terrível exploração a que eram submetidos os
seringueiros”. 168.
William
James
O mais emblemático desses viajantes foi o filósofo norte-americano William
James , que, aos 23 anos veio à Amazônia
acompanhando a expedição de Louiz Agassiz(...)
discorda frontalmente de seu professor racista e escravagista, revelando
grande simpatia pelos povos indígenas e pela maneira de ser dos brasileiros. Numa carta à irmã, Alice James,
datada de 31 de agosto de 1865, (...) faz uma descrição das gentes e dos
costumes da região. “ os índios que vi até agora são ótimas pessoas, de uma
linda cor acastanhada com cabelos lisos e finos”” p.169-170
As
transformações do discurso Colonial -
(...) Foi
assim que, pela contribuição de tantos viajantes, mas sem romper com a velha
tradição da consciência de desigualdade, o discurso colonial passa a mudar na
Amazônia, a partir de 1750.(...) A expressão torna-se leiga e profana, e as
narrativas perplexas já não são formas de conhecer, mas , antes uma reflexão
mais decidida sobre colisão entre culturas e naturezas, que se escondam e
subitamente se revelaram no choque(...) Por toda parte e desenham-se as fábulas
da região, mas , agora , sabe-se que são
fábulas; é o tempo da necessidade de louvar a própria força e tentar a
compreensão da ciência P. 171
John
Gabriel Stedman- (1744-1797) , autor de Joana or the
Female Slave, um dos maiores sucessos literários do seculo XVIII;
Em
segundo lugar Henrique João Wikens,
cujo
poema épico Muhuraida, sobre a guerra aos índios Mura, substitui poeticamente
as velhas analogias dos viajantes pioneiros; em terceiro , o desenhador de
Bolonha, Antônio Landi( 1713), um dos plasmadores da cidade de Belém, modelo de
cidade Amazônica;
O
cientista Alexandre Rodrigues FERREIRA(1784-1815), FAZ
EMERGIR A GRANDE REGIÃO AO SISTEMA DAS OBSERVAÇÕES CIENTÍFICAS.
Stedman_
“convive com a sociedade escravocrata” (...) vaso espanhol(...) tortura
inventada por Aguirrre (...) p.172
(...) A prostituição de
escravas funcionava ativamente todas as noites, com mulheres brancas que
oferecem negaras aos homens” p. 172
(...) Stedman acaba conhecendo a mulata Joana
(...)
Landi
, acompanhado do astrônomo Angelo Bruneli, chega a Lisboa, onde participa dos
preparativos das expedições até a
partida para o Grão –Pará.
Nenhum comentário:
Postar um comentário