Postagens populares

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sousa, Márcio. História da Amazônia, 2009. Editora Valer, Manaus.
SOLDADOS, CIENTISTAS E VIAJANTES
O RELATO,  que foi durante a conquista a forma especial  de expressar literariamente a região- ao mesmo tempo , documentos e relação dissocia-se numa forma que é ainda documento, mas indiretamente por meio da poesia e, por meio do inventário, quando a conquista se transforma em colonização>(...) é necessária racionalidade(...)  ordenar a Amazônia(...) . E, em especial, o domínio empírico do relato, no qual a teoria e a prática literária viam a região se estabelecer com semelhanças e afinidades,  e no qual se podiam cruzar o fantástico e a linguagem da perplexidade. P. 162. 163.

(...) instaura-se a racionalidade mercantil(...) que vem fazer desaparecer o relato e promover o texto à poesia, à ciência ,  ao romance(...). Na poesia, há mesmo uma quebra sutil com a tradição cristã, deuses da antiguidade clássica perambulam a para com o formalismo carregado e moralista do homem ibérico.É um racionalismo tímido, à moda católica tridentina, não-especializado, sem ser universalista, não profissional sem ser burguês. (p.163)

MONTANDO O QUEBRA CABEÇA TROPICAL
Os mais avançados dos observadores foram os sábios viajantes, uma categoria que proliferou nos séculos XVIII e XIX.Espanhóis e portugueses relutavam muito em conceber passaporte a esses tipos extravagantes, geralmente cientistas sob comissão de algum potentado ou algum reino europeu. (..) De tudo o que foi observado, relatado, dissecado, empacotado e despachado para as mais diversas capitais do velho mundo, pouco foi de grande valia para os habitantes da Amazônia.Suas vidas seriam modificadas pelas conclusões desses homens de ciência(...) p.  163.
Com a onda dos cientistas viajantes, começa a ser fabricado o renitente mito de que a Amazônia é um vazio demográfico, uma natureza hostil aos homens civilizados, habitada por nativos extremamente primitivos sem vida política ou cultural.É a Amazônia terá sem história, que tem permitido toda sorte de intromissão e arbitrariedade(...) p. 163

Charles Marie La Condamine
Foi o primeiro cientista importante a atravessar a região foi  o francês Charles Marie La Condamine.(...) Homem de temperamento forte e obsessivo, La Condamine era um típico sábio do século XXIII, meio cientista, meio soldado, meio aventureiro. Filho  de uma família de aristocracia rural, (...) , dominava um vasto campo de conhecimento , como a matemática, a astronomia e as ciências naturais(...) reunia em sua personalidade a própria essência  de um tempo marcado pelo fanatismo religioso, refinamento intelectual, extrema licenciosidade, sofisticação dos modos e brutalidade.(...) aos dezoito anos torna-se oficial do exército  e participa de combates na Espanha.Foi no cerco da cidade de Rojas que ouviu, pela primeira vez , sobre o Peru, os Andes, os Incas e a Amazônia., em conversas com um oficial espanhol prisioneiro de guerra.(...) Aos vinte e nove anos conquista uma cadeira na academia de ciências de Paris(...) se tornou amigo de Voltaire(...) na América do Sul, duas expedições foram organizadas(...) era preciso fazer medições e triangulações exatas do globo terrestre(...) para o Sul (...)  La Condamine(...) p. 164

La Condamine estava ouço interessado em refutar Isaac Newton(...) o desejo era (...) conhecer seus mistérios escondidos por mais de dois séculos(...) p. 165
Nos sete anos de trabalho, cinco membros da equipe morreram em situação trágica e alguns outros enlouqueceram diante dos rigores da selva equatorial. (p.165)
(...) La Condamine (...)perseverou (...) repetindo a rota de Francisco Orellana ( ....) se juntou ao jesuíta Maldonado(...) . faz estudos e observações sobre os povos indígenas, a flora e a fauna, sempre maravilhado com a profusão de novidades apresentadas pela exuberante natureza tropical(...0 foi o primeiro cientista a fazer a descrição de várias espécies desconhecidas dos europeus até então, como os botos , o uso do curare e a borracha.É tmbém o primeiro a confirmar a existência de uma ligação entre a bacia do Orenoco e a d Amazonas, ligação esta que será usda, muito depois, pelo cientista alemão Alexander Von Humboldt.  P. 166
(...) se sentiu atraído pelo incidente com as Amazonas, relatado, em cores dramáticas, por Carvajal(...) .Tão certo estava da existência das mulheres guerreiras que, certa vez, durante uma parada no rio Solimões, viu duas índias que desapareceram na selva tão logo ele tentou se aproximar, passando a considerar esse fato como um possível encontro com as Amazonas. p. 166
(...) publicou diversos estudos e um cuidadoso relato de viagem, além de ter elaborado, durante sua estadia em Caiena, um detalhado mapa da bacia amazônica, tão perfeito que pode ser usado ainda hoje . p. 166

Os OUTROS CIENTISTAS

SEGUIRAM OS PASSOS DE  LA CONDAMINe (...) entre  1790 e 1900, dezenas de viajante e cientistas  atravessaram a Amazônia, MOVIDOS PEL a curiosidade, pelo espírito de aventura, pela COBIÇA  e pelo desejo de desvendar o desconhecido.

(...) os ingleses Alfred Russel Wallace( 1823-1913) e Henry Walter Bates(1825-1892) ,  que navegaram  pelo Amazonas até Manaus, de onde partiram em direções opostas. Bates visitou o Solimões, enquanto Wallace seguiu para o Rio Negro. Ambos realizaram um precioso trabalho científico, especialmente no campo da botânica; o matemático e botânico amador norte-americano Richard Spruce(1817-1913), que ouviu falar na expedição de Wallace e Bates, pegou um barco  e veio encontrá-los em Santarém, onde ficou um ano coletando plantas;
O oficial de guerra dos Estados Unidos- William Lewis Herdom(1813-1857) ,eu foi enviado pelo governo americano para investigar as potencialidades econômicas da Amazônia, viajou pelo rio Amazonas, vindo do Peru, relatando mais tarde, ao Congresso dos Estados Unidos,  que a região possuía enormes  potencialidades e deveria ser colonizada por homens brancos, não por índios; 

Dr. Robert. Christian Avé-Lallement(1812- 1857) , que esteve entre os Mura do Madeira e os tucano de Tabatinga ;
William Chandlles, que  explorou o território acreano, esteve no Purus e descobriu um tributário desse mesmo rio, que ganhou seu nome;p.167
O cientista suíço Jean Louis Rodolphe Agassiz(1807-1873) , professor da Universidade de Harvard , que acompanhado de sua mulher , Elisabeth, viajou através do rio Amazonas, medindo o físico dos índios e deixando um relato com tinturas racistas , já eu combatia a mestiçagem e considerava o homem amazônico um exemplo de degeneração;  p.167
Henry Anatole Coudreau(-1847- 1899), que viajou pela Guiana Francesa, pelo RO Branco e os rios Urubu e Trombetas, contatando diversas tribos e considerava os índios seres inferiores que deveriam ser exterminados para dar espaço aos europeus civilizados  p. 167


OS SEDUZIDOS PELA SELVA

(...) Alguns realmente se identificaram com a região, com o povo, dedicando suas vidas ao conhecimento e ao aprendizado.
João de São José Queiroz , que deplorou o estado em que se encontravam os povos indígenas (...);
Ricardo Franco de Almeida Serra(1750- 1809), que se apaixonou  pelos povos indígenas da Amazônia e se casou com uma índia terena(...);
O oficial do Exercito Imperial brasileiro João Henrique Wilkens de Matos(1784-1857) , que lutou na Cabanagem mas se tornou um defensor dos cabocos e índios, denunciando o estado de degradação e decadência em que se encontravam o rio Negro e  seus povos; (...) 
Antônio Gonçalves Dias( 1823- 1864), que viveu seis meses  entre os Mawé, Mura Mundukuru, mostrando-se solidário com esses povos; (...)

Charles Frederick Hartt( 1840-1878, (...) escreveu uma síntese etnográfica  da Amazônia e foi um dos primeiros a compreender a importância e a riqueza dos mitos  indígenas;
João Barbosa Rodrigues( 1842-1894) , que, ao lado de sua esposa Constança Rodrigues, e deixou uma magnífica coleção de literatura oral dos índios
O conde italiano Ermano Stradelli- , que se apaixonou pelo povos do rio Negro, denunciou os abusos cometidos pelos missionários católicos e registrou o  rico universo mitológico de diversas tribos;
Theodor Koch Grunberg(1872-1924)  (...) estudo sobre a mitologia dos Tariana, Tukano, Makuxi e Wapixana, revelando grande identificação e solidariedade com esses povos.
“ O escritor brasileiro Euclides da Cunha-(1866- 1909)“ que chefiou a Comissão Brasileiro-Peruana de Demarcação, viajou pelo rio Purus  e escreveu um dos mais contundentes textos de denúncia da denúncia terrível exploração a que eram submetidos os seringueiros”.  168.

William James O mais emblemático desses viajantes foi o filósofo norte-americano William James , que,  aos 23 anos veio à Amazônia acompanhando a expedição de Louiz Agassiz(...)  discorda frontalmente de seu professor racista e escravagista, revelando grande simpatia pelos povos indígenas e pela maneira de ser  dos brasileiros. Numa carta à irmã, Alice James, datada de 31 de agosto de 1865, (...) faz uma descrição das gentes e dos costumes da região. “ os índios que vi até agora são ótimas pessoas, de uma linda cor acastanhada com cabelos lisos e finos”” p.169-170
As transformações do discurso Colonial -
(...) Foi assim que, pela contribuição de tantos viajantes, mas sem romper com a velha tradição da consciência de desigualdade, o discurso colonial passa a mudar na Amazônia, a partir de 1750.(...) A expressão torna-se leiga e profana, e as narrativas perplexas já não são formas de conhecer, mas , antes uma reflexão mais decidida sobre colisão entre culturas e naturezas, que se escondam e subitamente se revelaram no choque(...) Por toda parte e desenham-se as fábulas da região, mas , agora , sabe-se  que são fábulas; é o tempo da necessidade de louvar a própria força e tentar a compreensão da ciência P. 171

John Gabriel Stedman- (1744-1797) , autor de Joana or the Female Slave, um dos maiores sucessos literários do seculo XVIII;
Em segundo lugar Henrique João Wikens, cujo poema épico Muhuraida, sobre a guerra aos índios Mura, substitui poeticamente as velhas analogias dos viajantes pioneiros; em terceiro , o desenhador de Bolonha, Antônio Landi( 1713), um  dos  plasmadores da cidade de Belém, modelo de cidade Amazônica;
O cientista Alexandre Rodrigues FERREIRA(1784-1815), FAZ EMERGIR A GRANDE REGIÃO AO SISTEMA DAS OBSERVAÇÕES CIENTÍFICAS.
Stedman_ “convive com a sociedade escravocrata” (...) vaso espanhol(...) tortura inventada por Aguirrre (...) p.172 
(...) A prostituição de escravas funcionava ativamente todas as noites, com mulheres brancas que oferecem negaras aos homens” p. 172

(...) Stedman acaba conhecendo a mulata Joana (...)
Landi , acompanhado do astrônomo Angelo Bruneli, chega a Lisboa, onde participa dos preparativos das expedições até a  partida para o Grão –Pará.


Nenhum comentário:

Postar um comentário