FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
NÚCLEO DE CIÊNCIAS HUMANAS
MESTRADO EM ESTUDOS LITERÁRIOS
Disciplina: Literatura e Estudos Pós-coloniais.
Docentes: Prof. Dr.Miguel Nenevé e Profª Drª. Sonia Maria Gomes Sampaio.
Sousa, Márcio. História da Amazônia, 2009. Editora Valer, Manaus.
ESTUDOS DO MESTRADO
O AUTOR : Márcio Gonçalves Bentes de Souza Escritor amazonense . (4/3/1946-). Teve influências da família para o gosto literário: avô, avó, pai. Márcio Souza tinha biblioteca em casa. Seu pai lia porque era operário, mas era da aristocracia dos trabalhadores. Os gráficos tinham que ser alfabetizados, tinham que ler. (…) Seu avô lia também. Ganhou muito livro de presente dele. Era comandante de navio, passou a vida toda viajando pelos rios da Amazônia, um grande contador de histórias. Então, tinha a conjugação dessas histórias de seu avô, de naufrágios, e o contato com os índios. Seu avô os adorava. Deu nomes de índios para todos os filhos. Seu pai se chamava Jamacir. Iraci, a minha tia. Jurandir… Tudo nome de índio. Seu avô tinha amizade com os índios e esse contato com os livros. Seu processo de formação como leitor se deu primeiro em casa. A avó, que não conhecia, gostava de escrever poesias e lia em francês e inglês. Ela encomendava livros pelo correio, no início do século 20. Havia livrarias em Manaus que encomendavam livros na França .A avó deixou para os filhos a sua biblioteca. O pai ficou com uma parte, minhas primeiras aventuras de leitura. Além disso, todos os sábados a mãe fazia uma limpeza em nossa casa e todos eram expulsos de lá. Eram em três irmãos. O pai , operário gráfico , os levava ao trabalho com ele, só que não podiam ficar na oficina da Imprensa Oficial do Estado, então ele os deixava no setor infantil da Biblioteca Pública de Manaus. O irmão do meio, que era mais chegado a um jogo de bola, a uma arruaça, adorava. Mais tarde se tornou jornalista, ou seja, trabalhou sempre com a escrita. Isso nos deu intimidade com o livro.
E a Amazônia é o tema da maioria de suas obras. nasceu em Manaus (4/3/1946-), estudou Ciências Sociais na USP e começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Antes de se formar, em 1969, publica o primeiro ensaio, O Mostrador de Sombras (1967). Ganha fama com seu primeiro romance, Galvez, Imperador do Acre, lançado em 1976. Divertida alegoria sobre a conquista do Acre pelo Brasil, o livro é bem recebido pela crítica e traduzido para várias línguas. Em 1991 assume a direção do Departamento Nacional do Livro e, em 1995, a presidência da Fundação Nacional de Arte (Funarte).( 1995 e 2003). Escreve, entre outros livros, A Resistível Ascensão do Boto Tucuxi (1982), O Palco Verde (1984) e A Caligrafia de Deus (1994). Em 1998 lança o romance Liberdade, sobre a fundação do Grão-Pará. Um dos mais destacados escritores de sua geração, é, reconhecidamente, um dos maiores intelectuais do Amazonas, do Brasil e já com nome internacional. É membro da Academia Amazonense de Letras do Amazonas. A sua obra destaca-se pelas leituras que faz sobre a Amazônia, seja no campo da História ou da Literatura; seja no teatro, seja no cinema. As suas conferências atraem não só os intelectuais da terra, como também estudantes e o público em geral, pois ouvir Márcio Souza é ouvir uma das maiores vozes da Amazônia. Entre outras, é autor das obras: Mad Maria, Galvez, imperador do Acre, A expressão amazonense, 1978 o ensaio A Expressão Amazonense - Do Colonialismo ao Neo-Colonialismo.
Objetivo de estudo: Na terceira parte do livro História da Amazônia de Mário Souza pretende-se conhecer parte do processo de conquista da Amazônia com a participação de homens que empreenderam ( período de 1500 a 1800) iniciando com a descoberta da água do doce do grande rio, fato que motiva grandes expedições de espanhóis e portugueses e outros países europeus . Em busca ainda do chamado El Dorado, esses enfrentaram as diversas tribos indígenas que viviam na região, causando o extermínio e dizimação de milhares de aldeias em um dos mais horrendos e bárbaros períodos da história da Amazônia. Foram mais de 250 anos de exploração em que a condição humana parecia não chegar ao seu limite tendo em vista as barbaridades cometidas pela ganância e ambição , por tirarem do índio o direito de ser índio e assim uma tentativa de apagamento do que foi e do que é a Amazônia até hoje.
Citação do DISCURSO DE POSSE DE MÁRCIO SOUZA NA ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS.
“evocar é buscar cumplicidade com as experiências passadas, com as histórias humanas que já se foram, com as existências que lutaram e superaram suas contingências. Celebro, portanto, esta noite, a feliz coincidência de contar com antecessores que trilharam caminhos tão semelhantes aos que percorro”.
Sousa, Márcio. História da Amazônia, 2009. Editora Valer, Manaus.
A CONQUISTA
TERCEIRA PARTE ( p. 65 à 116)
“ Entre a chegada dos primeiros europeus e o fim do sistema colonial, 250 anos se passaram. Foram tempos de conflitos e de muito sangue derramado, em que um mundo acabou em horror e outro começou a ser construído em meio ao assombro. A Amazônia foi inventada nesse tempo, porque antes era terra do verão constante, a terra em que se ia jovem e voltava velho, a terra do sem-fim”( p. 65)
“ Em 250 anos, o europeus se mostraram extremamente repetitivos. Chegaram em busca de riqueza e se deram conta da falta de mão de obra. Assaltaram as populações indígenas, apresaram escravos, mas a carência de mão de obra persistiu.(...) A Amazônia, como hoje a conhecemos, é fruto dessa cega perseverança. Os colonizadores pensaram em construir uma unidade produtiva, mas só lograram demarcar uma fronteira econômica” p. 66
O primeiro europeu ( descobriu que navegava em mar de águas doce)
“Em fevereiro de 1500, depois de sair de Palos e de fazer algumas paradas nas ilhas canárias e do Cabro Verde, um capitão espanhol mandou que seus quatro galeões rumassem ao Sul(...) litoral nordestino brasileiro (...) Deu o nome de Santa Maria de La consolación ao acidente geográfico, e regressou ao Norte, finalmente se dando conta de que estava navegando em água doce. (...) ficou surpreso em saber que navegava num mar de água potável (...) Vicente Yânez Pinzòn , que tinha comandado a caravela Ninã na expedição de Cristovão Colombro” p.67
“(...) para explorar aquelas riquezas foi nomeado governador e capitão geral daquelas terras, pelo próprio rei. Pinzòn deu ao rio o nome de Santa Maria de La Mar Dulce” P. 68
O segundo europeu ( confronto devido ao sequestro de 36 indígenas)
“ (...), chega na foz do rio Amazonas o espanhol Diego de Lepe, (...), mas não teve a mesma sorte de seu conterrâneo – os índios da região- provavelmente da etnia tupinambá-, enfurecidos com o sequestro de seus 36 companheiros, receberam os visitantes de forma belicosa, matando alguns espanhóis que tentaram desembarcar. A resposta foi imediata(...) os tiros dos arcabuzes provocaram o primeiro massacre de índios. Não seria o último” p.68
Francisco de Orellana
“ jovem espanhol(...) , o primeiro a conduzir uma expedição pelo Mar Dulce(...) é provável que tivesse alguma ligação com a família Pizarro.(...) Aparentemente, ele deixou a Espanha ainda adolescente, viajando para as índias em busca de riqueza, como tantos outros espanhóis. Era muito corajoso , de temperamento explosivo, e há registro de sua passagem pela Nicarágua, antes de tomar parte da conquista do Peru , durante a qual se revelou um fiel partidário ddos irmãos Pizarro(...) perdeu um olho.
“ Em 1540(...) conseguiu vencer os índios da costa equatoriana e fundou a cidade de Santiago de Guayaquil.
Gonzalo Pizarro
“ No mesmo ano (...) chega a Quito, na qualidade governador da província, e começa a organizar uma ambiciosa expedição para conquistar e tomar posse dos desconhecidos territórios orientais(...) pensava em dois objetivos : (...) sonhava em romper com esse monopólio. O segundo , mais fantasioso, mas não menos improvável que o território da canela, era encontrar o fabuloso reino do El Dorado” p. 69
O El Dorado- A lenda
“País fabuloso (...) se dizia ser tão rico (...), segundo a lenda, o chefe da tribo recebia em todo o corpo uma camada de ouro em pó e a seguir se banhava num lago vulcânico” p. 69
“(...) Em busca do El Dorado também foram para as selvas outros europeus, como portugueses, franceses, holandeses e irlandeses”(...) E todos quiseram se apossar da riqueza escondida, desses países fabulosos que foram progressivamente mudando de nome e de lugar: Guyana, El Dordo, Candire, Paititi, Mojos, Manoa , mantendo sempre as mesmas promessas e causando os mesmos desenganos. O mitos dourados são essencialmente fenômenos de fronteira, e a fronteira sempre foi lugar violento(...) , muitas pessoas perderam a vida de forma atroz, mas quando relatados os fatos, muitas vezes parecem contos de fadas concebidos por um demente” p. 71
“(...) Mas não se deve estranhar esse fato, porque os espanhóis tiveram experiências tão extravagantes no Novo Mundo que o El Dorado não parecia menos real” p.71
As primeiras tentativas espanholas na Amazônia
“ Em 1538,(...) Pedro de Anzures liderou 300 espanhóis, 4.000 índios e, inexplicavelmente algumas das moças mais bonitas de Cuczo(...) também ouviu falar do Eldorado, mas os rigores da natureza o obrigaram a voltar. A expedição resultou em sofrimentos terríveis, com espanhóis tendo de comer os próprios cavalos e sucumbindo às doenças e à fome. (...) A maioria dos índios morreu, e os que sobreviveram se alimentaram dos cadáveres dos que tinham morrido de fome” ( p.71)
A expedição de Gonzalo Pizarro ( “atirar aos cães” )
“Em fevereiro de 1541, (...) 220 cavaleiros armados e encouraçados, milhares de Ilhamas para transporte de alimentos, 2.000 porcos, 2.000 cães de caça-enormes e ferozes cães que os espanhóis atiçavam contra os índios, dando origem à expressão “ atirar aos cães”(...) a tropa era também reforçada por 4.000 índios da montanha, condenados a morrer no clima úmido e calorento da selva” p.71
“ (...)Fransico de orellana, chega depois da partida da escpedição, exausto e quase sem dinheiro (...) embora com pouca comida e ignorando as advertências das autoridades de Quito, (...) segue em busca de seu líder(...) , apenas com suas armas, mas foram recebidos com alegria por Gonzalo, que deu a Orellana o título de comandante-geral das forças combinadas” p71.
“ o terreno era pantanoso, com lama e muitos rios para atravessar. Cavalgar num terreno como esse era impossível, o que fragilizava os espanhóis” p.72
“ Pizarro perguntava onde ficavam os vales e as planícies, mas era uma informação que ninguém sabia dar. Invariavelmente, Pizarro atiçava seus cães contra os índios ou os matava, um por um, com requintes de crueldade” p.71
“ (...) Pizarro decidiu voltar. Mas encontraram uma tribo que lhes falou de um reino poderoso , muito rico, que existia mais abaixo do rio. Esta é uma história que qualquer um teria inventado para se ver livre daqueles arrogantes visitantes, mas os índios não contavam com a brutalidade de Pizarro. O chefe da tribo foi feito prisioneiro , e o s que resistiram foram trucidados a trios de arcabuz”
“ Tinham perdido todos os índios trazidos de Quito e comido quase todos os porcos. Pizarro não contava com muitas opções e a mais razoável teria sido voltar. Mas os espanhóis não estavam no Novo Mundo para praticar cautela e o senso comum. Por isso quando Orellana se ofereceu ( ...) para descer o rio em busca de comida, Pizarro Aceitou, mas advertindo que deveria voltar em menos de quinze dias” ( p. 73)
“ Orellana ia comandar sessenta homens, inclusive um cronista, frei Gaspar de Carvajal, conterrâneo de Orellana e Pizarro, que tinha vindo do peru para estabelecer o primeiro convento dominicano no país” ( p.73)
O CRONISTA DA EXPEDIÇÃO
“Abrimos as páginas de frei Gaspar de Carvajal, em RELÁCION DEL NUEVO DESCUBRIMIENTO DEL FAMOSO RIO GRANDE DE LAS AMAZONAS, e o que vemos é uma linguagem mediadora para a ação missionária da conquista. (...) O mundo que Carvajal transforma em escritura é um mundo que se abre em suas surpresas para pôr à prova a vocação missionária(...) uma limitação que não pode ultrapassar os dogmas da fé. (...), a paisagem não é senão paisagem par o destino maior do Cristianismo sobre a terra”. P. 73
“A gama de observações nesse relato é curiosamente ingênua. Há muitas noções que, se consideradas do ponto de vista da cultura europeia, foram dosadas por Carvajal, com forte acento medievalista. Ele era um homem mergulhado na mística salvacionista da Contrareforma e procurava sempre reforçar as próprias convicções, limitando o visível da região observada e ampliando os seus mistérios(...) é no texto de frei Gaspar que podemos acompanhar a trajetória de Orellana” p. 74
A DESCIDA PELO REINO DOS TUXAUA GUERREIROS
“Carvajal conta no terceiro dia de viagem, o bergantim abalroou um tronco flutuante e um rombo se abriu(...) estavam perto da margem, em águas rasas(...) onde o consertaram. Mas estavam sem nenhuma comida”
“ Em 1542(...) ouviram distante rumor de tambores(...) , eles encontraram a aldeia . Os índios mostraram suas armas e não pareciam amigáveis, mas os espanhóis atacaram com tanta ferocidade que a aldeia foi tomada em questão de minutos. Para a sorte de Orellana, havia muita comida e eles tiveram seu primeiro almoço decente em semanas.(...) usando uma língua que ele tinha aprendido com índios do rio coa, conseguiu que lhe indicassem o chefe. Quando este se apresentou, Orellana deu-lhe um abraço e presentes, conquistando sua confiança” ” P.74
“(...) era hora de voltar para Pizarro(...) o regresso não estava nos planos dos e mais espanhóis(...) argumentaram que a melhor opção seria seguir em frente, baixando o rio. De início Orellana resistiu, mas os homens começaram a deixar claro que estavam dispostos a tudo, até mesmo a trair seu comandante. (...) aceitou lidera-los na viagem rio abaixo e decidiu mandar construir um barco maior” p.74
“ A viagem prosseguiu, sempre com a ajuda dos índios, que lhes ofereciam alimentos. Orellana deu ordens para que os índios fossem tratados com amizade, e essa política estava dando bons resultados” p. 75
“ Quando finalmente entraram nas águas do grande rio, foram informados de que estavam no território do grande Aparia, um poderoso chefe tribal(...) os espanhóis foram, assim, guiados até o aldeamento do grande chefe, onde foram bem recebidos, puderam descansar e de onde partiram em 24 de abril de 1542”
“ No dia 3 de junho eles alcançaram a boca do rio Negro. Carvajal descreve o fenômeno do encontro das águas, com águas escuras do rio Negro correndo por entre o amarelo do grande rio.(...) O nome do rio Negro foi dado por Orellana” p. 75
“os espanhóis tomaram um pequeno povoado, quase só de mulheres, de onde começaram a recolher toda a comida que pudessem carregar. No final do dia, os homens da aldeia regressaram e deram com os espanhóis ocupando suas casas. (...) Orellana agiu como um típico colonizador espanhol, ordenando que a aldeia fosse incendiada e mandando enforcar os prisioneiros(...) após a missa de Corpus Cristi, deixaram para trás alguns índios na ponta da corda e as casas em chamas.” p.75
(...) Alguns dias depois(...) eles entraram no território da rainha Amurians, ou a “Grande Chefe”. Era uma área bastante habitada, com enorme população, mas bastante hostil. Na primeira tentativa dos espanhóis de desembarcarem para conseguir comida, mereceram um ataque tão feroz que tiveram que disputar cada centímetro de chão, até conseguir voltar aos barcos, onde uma esquadra da canoas já os cercava. Entre os feridos estava frei Gaspar de Carvajal, que recebeu uma flechada na coxa e , mais tarde, em outra escaramuça, uma flechada num dos olhos” P. 76.
“ (...) a presença de mulheres entre os guerreiros . Carvajal as descreve como mulheres de alta estatura, pele branca, cabelos longos amarrados em tranças, robustas e nuas, vestidas apenas com uma tanga.(...) Um índio(...) interrogado por Orellana, ele contou que as mulheres viviam no interior da selva e todo aquele território lhes pertencia. Suas aldeias eram feitas de pedra e somente mulheres podiam viver nelas. Quando desejavam homens, elas atacavam reinos vizinhos e capturavam os guerreiros. Se a criança nascida fosse mulher, era criada e ensinada nas artes da guerra (...) Se fosse homem ,a criança , quando não era morta, era entregue ao pai” ” P.76
“ A história narrada pelo índio é a mesma que seria contada para sir Walter Raleigh e repetida 200 anos depois ao cientista Charle Marie de la Condomine, bem como para Spruce , 300 anos mais tarde. Mulheres guerreira comandadas por uma matriarca é um mito comum aos povos do rio negro, médio Amazonas e Orenoco”. P. 76
“ Quando a aventura de Orellana se tornou conhecida, o grande rio nunca mais foi chamado de Mar Dulce. Agora era o rio das Amazonas. Carvajal(...) regressou ao Peru e viveu até os 80 anos, ocupando vários postos na hierarquia eclesiástica de Lima” ( p.78)
“ Orellana (..) seu primeiro ato(...) requerer ao rei o título de governador das terras que tinha descoberto (..) Nova Andalúzia. O título lhe foi outorgado, mas o rei não lhe forneceu recursos financeiros(...) Orellana não esmoreceu: emprestou dinheiro, empenhou tudo o que tinha e armou quatro navios, que os fiscais consideravam inadequados para a empreitada. (...) vislumbrando um futuro de miséria(...) partiu assim mesmo(...)
“Finalmente , Orellana atinge o arquipélago de Marajó e tenta avançar rio acima. A expedição contava com poucos sobreviventes, insuficientes par fundar uma colônia(...) doente, perde-se no labirinto de ilhas(...) Num dia qualquer do final e agosto, faminto e desesperado, ele morre. Seu corpo é enterrado numa das margens do rio Amazonas” ( p.79)
A REVELAÇÃO DA AMAZÔNIA
“ Como a narrativa de frei Gaspar de Carvajal vem provar, a revelação da Amazônia foi um verdadeiro impacto para os europeus. Uma verdadeira colisão cultural, racial, social, que, como em toda a América latina, provocou as mesmas contradições que se repetiram ao longo do caminho da empresa desbravadora” p.79
“ Em nenhum momento Carvajal esboça qualquer referência a respeito da supremacia cultural do índio na Amazônia. Para o cronista, somente um ponto era comum entre o índio e o branco: a violência com que atacavam ou se defendiam. Por isso , as sociedades indígenas deveriam ser erradicadas e os povos amazônicos destribalizados e postos a serviço da empresa colonial”. P.79
“ As crônicas dos primeiros viajantes são de escrupulosa sobriedade em relação aos sofrimento dos índios. ( ...) instala-se a incapacidade de reconhecer o índio em sua alteridade. Negaram ao índio o direito de ser índio (...), ficou sequestrada também a Amazônia” p 81
Os Alemães : primeiros colonos
“ Contrariando as crônicas da conquista da América, não foram espanhóis ou portugueses os primeiros europeus a tentar um modelo de colonização. Foram surpreendentemente, os alemães. Em 1528, o imperador Carlos V, da Espanha , outorgou aos comerciantes da cidade de Asburg , o direito de posse deu uma parte da Costa da Venezuela” p..81
“(...) Ambrósio de Alfinger que dois anos depois comandou uma expedição(...) extremamente cruel com os índios. (...) aprisionava os índios e os mantinha acorrentados pelo pescoço. – em série- (...) era muito comum mandar decapitar aqueles que ficavam cansados e doentes(...) durou um ano, e no final os índios se rebelaram e assassinaram” ( p.82).
“ Em 1536, George de Spires, sucessor de Alfinger , conduziu outra expedição (...) p.82
“ Em 1541(...) Philip Von Huten(...) conduzido pelas histórias contadas pelos índios sobre o fabuloso El Dorado . Ao voltar para o litoral da Venezuela, encontrou a povoação alemã ocupada por piratas espanhóis, e foi decapitado. No mesmo ano as autoridades espanholas retiraram dos alemães a concessão daquele território, encerrando , assim, a participação teutônica na conquista da Amazônia.” P.82
OUTRAS TENTATIVAS ESPANHOLAS
“Enquanto isso , os espanhóis estavam ativos em busca do El Dorado. Em 1566 foi a vez de JUAN ALVAREZ MALDONADO, o mais formidável cavaleiro do Peru, que desceu dos Andes com uma tropa bem provisionada. Mas , ao chegar à selva, irrompe uma rebelião que divide em duas a expedição(...) lutam entre si(...) e os sobreviventes facilmente capturados pelos índios e morto. Maldonado consegue sobreviver(...).
Pedro de Ursua, Guzman e Lope de Aguirre
“ A expedição mais famosa do período foi realizada em 1560 por Pedro de Ursua, Fernando de Guzman e o desvairado Lope de Aguirre”
“ (...) Tudo começou quando umapopulação inteira de índios do litoral brasileiro , provavelmente Tupinambá, chegou a Qutio, onde pediram asilo(...) fugindo das atrocidades dos portugueses(...) dos horrores no litoral atlântico. (...) contaram aos espanhóis que haviam encontrado muito ouro, especialmente na terra dos Omágua(...)”
“ Pedro de Ursua acredita nos relatos do índios e resolve organizar uma expedição(...)
Conforme consta nos registros de frei Gaspar de Carvajal, a expedição feita por Orellana em 1541 e 1542 pelo maior rio do mundo, ajudou a recriar a lenda das mulheres guerreiras, as amazonas da mitologia grega clássica. As icamiabas[1] eram índias que dominavam a região próxima ao rio Amazonas,[2] riquíssima em ouro. Quando Orellana[3] desceu o rio em busca de ouro, descendo os Andes (em 1541) o rio ainda era chamado de Rio Grande, Mar Dulce ou Rio da Canela, por causa das grandes árvores de canela que existiam ali. A belicosa vitória das icamiabas contra os invasores espanhóis foi tamanha que o fato foi narrado ao rei Carlos V, o qual, inspirado nas antigas guerreiras hititas[4] ou amazonas, batizou o rio de Amazonas. Amazonas (a, "sem" e mazôn, "centro") é o nome dado pelos gregos às mulheres guerreiras.[4]
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